
Como a gente sabe que não é mais aquela criança bobinha que chorava; só porque os meninos da rua não aceitavam perderem para um menina no futebol? Como sei que a noite não vou ter medo do escuro? Como vou saber que alguém me engana mesmo olhando nos meus olhos e jurando que me ama? Em que momento perceberei que cresci e sou responsável pelos meus atos? Quando e como vou saber que é chegada a hora de ir em frente e ver meu passado pelo retrovisor do meu carro? Como sei que não quero passar férias na casa de campo que na minha infância era meu lugar preferido? Quando é que irei aprender que o pra sempre; sempre acaba? Como vou ter certeza que aquela ferida no meu coração já cicatrizou? Como vou saber separar meus pensamentos dos meus sonhos? Em que momento vou saber o que é personalidade e como a minha será formada? Como saberei qualificar a importância de cada pessoa na minha vida; sem que nenhuma ocupe um lugar errado ou injusto? Quais os sintomas de um amor, como eles aparecem, posso escolher sentir ou não, tem cura? Quando irei perceber que só vou ser alguém através de meus próprios esforços? Tem um momento certo para lidar com a morte, vou sofrer, vou achar normal, terei medo? Como saberei em que teoria de evolução da humanidade deverei acreditar? Quem, como ou quando lapidarei minha fé, todos tem fé, o que é fé? Será que sempre terei o que dizer não importa a hora, mas eu devo de dizer o que sinto ou o que a razão me mandar dizer? O que são amigos, como eles se impõem como amigos, todos os que dizem amigos são confiáveis? Com quem devo andar pelas ruas da vida, com quem quero ou com quem a sociedade me diz que devo? Que profissão seguir, devo escolher pelos meus pensamentos sonhadores ou por dinheiro? Quantas perguntas sem respostas; ou pior perguntas que quando acho que as respondi me aparecem mais duas ou três para me enlouquecer; em todas essas há uma resposta que vem do coração que domina, transforma e se mostra como um tornado; porém para todas elas também há uma resposta que vem devagarinho, tímida, silenciosa e cautelosa como uma cobra que vigia sua presa. E me surge mais uma pergunta, quem ouvir a razão ou o coração, pensamentos loucos me dizem que os dois vai depender da situação; e como saberei escolher o momento certo, para a situação que foi imposta e qual resposta devo escolher? Será que estou enlouquecendo ou estou sendo obrigada a amadurecer antes da hora certa? Ah; quer saber para que tantas perguntas sem respostas, para que querer saber a situação e o que devo escolher, não há necessidade de viver algo antecipadamente; nem mesmo amadurecer... Acho que se todas as pessoas do mundo não deixassem sua criança interior morrer não haveria guerras, violência, falta de amor, sexo sem compromisso, depressão, infelicidade, pena, racismo, preconceito, poder... Se de vez em quando todos permitissem que suas crianças dessem cambalhotas, pulassem amarelinha, brincassem de pique-esconde, jogassem mimica na estrada da vida, por mais dura que ela fosse sempre haveria um sorriso entre uma brincadeira, as coisas mais belas seriam ditas em um simples olhar, um toque seria o sinal de que agora é a nossa vez de jogar no tabuleiro da vida e nunca estaríamos sozinhos , afinal que joga num tabuleiro sozinho? Não importa a pergunta nem a resposta, mas importe-se com não deixar morrer a criança que faz queimar tua alma de tanta felicidade, não importe-se se te julgam imaturo! Se alguém te julgar assim grite para esse alguém: -Mas eu sou feliz!
(Morgana Miranda)