terça-feira, 12 de abril de 2011

O PRISIONEIRO DO CALABOUÇO


Hoje; por essa fresta em que o sol se faz presente sou o jurado de um confronto épico; do meu EU falso com meu EU verdadeiro. Desculpe-me a falta de gentileza; permitam-me que eu me apresente; muito prazer meu nome é... Perdoe-me, mas isso não posso responder; porém nem eu mesmo sei quem sou, mas podem me chamar de prisioneiro do calabouço. Eu quando era criança numa cidade pequena do interior costumava brincar e sorrir feliz pelas ruas daquela cidadezinha, mas mesmo assim não me sentia um pertencente daquele lugar, minha adolescência também vivi momentos maravilhosos naquele lugar, mas algo em mim voava alto e tinha grandes sonhos, sem falar que algo em mim sentia coisas que não se encaixava com aquele lugar e aquela época; houveram mudanças e eu sai daquela cidadezinha e fui viver em um lugar onde meus pequenos sonhos vi desmoronar, mas outros foram reerguidos e aquilo que sentia criou asas e se lançou ao vento da vida e é nesse vôo que vejo minha felicidade planar pelo horizonte, mas é um vôo arriscado demais para quem tem hora para pousar. É nesse calabouço frio, úmido, escuro e fétido, que meu EU de criança se defronta com meu EU de gente grande, meu EU criança agrada a maioria da população da cidadezinha, principalmente aqueles que me puseram correntes nos pés e pesos impossíveis de serem levantados por um único ser humano, mas o meu EU gente grande; esse que me faz feliz, que me descreve, que me faz respirar dia após dia; é esse que por incrível que pareça me mantém presa nesse calabouço único chamado minha verdade; e mais uma ironia surge! Preso em minha própria verdade, preso dentro de mim mesmo. Por essa mesma fresta vejo o mar imenso, livre, perfeito, às vezes ele é violento, brutal, devastador, mas ele vive sua verdade... E vejo-me preso as correntes de pessoas das quais preciso para viver, e pergunto-me até quando terei que viver um EU falso para poder sobreviver e às vezes deixar viver meu verdadeiro EU... Isso enlouquece, sufoca, entristece, irrita, faz sangrar a alma, faz perder. Às vezes tenho a sensação perturbadora que terei que matar meu verdadeiro EU, para poder viver em paz com meus carcereiros, fazer as vontades deles e não as minhas vontades, mas como alguém pode viver uma vida inteira sem ser feliz realmente, mas como libertar-me dessas correntes e dessa masmorra do medo¿ Sempre que tento desafiar meus carcereiros mostrando-os apenas um pouco do meu EU verdadeiro, sinto a guilhotina sufocando-me, mas antes que a mesma entre realmente em ação faço uma retratação pública e volto a esse calabouço que só eu conheço bem, nas noites frias de chuva sinto minhas asas querendo bater para longe em busca de fogo para se aquecer, mas olho ao redor e vejo que estou sem saída e no canto escuro choro suplicando a Deus que me mostre um caminho, um meio de fuga ou uma cura para essa coisa toda de EU criança e EU gente grande. Agora a lua se faz presente e pela fresta à vejo, sento no canto desse calabouço e de um lado vejo meus carcereiros felizes pois estou vivendo conforme aquela criança sem desejos, sonhos ou vontades; do outro lado vejo a lua se fazendo presente em pequenos feixes de luz que não me deixam matar meu EU gente grande; e com mais uma suplica à Deus em busca de felicidade plena acalmo meu coração e vou adormecendo; afinal um outro dia estar por vir; e vai ser difícil como está sendo... Afinal; não é tarefa fácil fazer um EU gente grande feliz assumir responsabilidades de um EU criança infeliz. Morgana Miranda

RECAÍDA


Por tanto tempo fiquei "longe" de você; por várias vezes fiz de sua presença um mero acontecimento fútil do meu dia-a-dia e por inúmeras vezes achei que o fato de você estar por perto era azar do destino e que eu já havia superado tudo o que um dia "havia" sentido por você, mas foi só eu ficar um pouco mais perto, foi apenas eu partilhar de sua presença que pude perceber tudo o que meu coração ainda sente por você; achei que você já era acontecimento antigo na minha vida, achei que teu cheiro jamais me perturbaria novamente, tinha plena certeza que nunca mais me mostraria tão fraca diante de ti, mas não foi bem assim que aconteceu; teu abraço me envolveu como anos atrás e mais uma vez me senti protegida mesmo que o fim do mundo estivesse perto, reconheci teu cheiro no escuro e misturado a muitos outros cheiros e com isso até mesmo eu me surpreendi que posso esquecer meu próprio nome, mas jamais esquecerei do cheiro que por inúmeras vezes passeou em meu corpo e brincou de me fazer feliz, toquei teu rosto e teu cabelo; foi nesse toque que surgiu a sensação que senti a primeira vez em que toquei teu rosto; teu cabelo continua o mesmo; até o movimento que ele faz ao vento é o mesmo; e o mesmo também é o que sinto por ti. Prometi ao céu, que NUNCA MAIS me permitiria falar de você, em pensar em você e muito menos me mostrar verdadeiramente a você, mas como fazer isso diante de uma pessoa com a qual não preciso falar? Só em você olhar dentro dos meus olhos você já sabe o que quero, o que sinto... talvez você saiba dos meus sonhos e desejos mais íntimos dos quais eu mesma nem sei que existem; porém a vida me disse que não seria fácil viver sem você; e foi sem você que aprendi a alimentar um amor que dorme quando estais longe, mas agora pergunto-me o que faço, já que você voltou a se fazer presente em minha vida. Tão presente que sinto como se nunca estivesse longe de você... E agora o que fazer? Afinal você voltou para minha vida e não para mim.

Morgana Miranda